Análise crítica: entenda os riscos de consumir alimentos com conservantes

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Análise crítica: entenda os riscos de consumir alimentos com conservantes

Análise crítica: entenda os riscos de consumir alimentos com conservantes

Link de acesso: http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/rntv-1edicao/videos/v/entenda-os-riscos-de-consumir-alimentos-com-conservantes/5923652/

A reportagem aborda um tema bastante relevante nos dias atuais devido ao amplo consumo e oferta de produtos industrializados e fast foods, seja por comodidade, praticidade, questões econômicas ou culturais: os conservantes. Com o avanço da indústria química a indústria de alimentos passou a utilizar um grande número de aditivos nos alimentos, para melhorar as condições de armazenagem e oferecer alimentos seguros, e assim atender às expectativas do mercado consumidor (17). A Portaria nº 540 – SVS/MS, de 27 de outubro de 1997 define que aditivo alimentar “é qualquer ingrediente adicionado intencionalmente aos alimentos, sem propósito de nutrir, mas com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais, durante a fabricação, processamento, preparação, tratamento, embalagem, acondicionamento, armazenagem, transporte ou manipulação de um alimento” (4).

A reportagem em questão mostra alguns alimentos que contém conservantes, em que parte do rótulo podem ser encontrados e uma breve listagem de alguns possíveis malefícios. Entretanto, é interessante que sejam identificados quais são estes conservantes e com quais nomes esses aditivos são listados nos rótulos para que o consumidor possa identificá-los na hora da compra. Tais produtos químicos são divididos em classes de acordo com suas utilizações na indústria:

Corantes:

Existem os corantes naturais (urucum e carmim, por exemplo) e os sintéticos. Dentre os corantes artificiais encontramos: os corantes azo-amarelo tartrazina (amarelo nº 5), amarelo crepúsculo (amarelo nº 6), Bordeaux S (amaranto ou vermelho nº 2) e Ponceau 4R (vermelho nº 4), a eritrosina (vermelho nº 3) e o indigocarmim (azul nº 2) (3).

Muitos dos problemas de saúde, como alergias, rinite, broncoconstrição, hiperatividade, danificação cromossômica, tumores, entre outros, têm sido reportados por diversos autores (15) associados aos corantes sintéticos. Entretanto, estão sendo descritos casos cada vez mais frequente de reações alérgicas (urticária, angioedema e anafilaxia), causada pela ingestão de corante carmim (22).

Aromatizantes:

Podem ser classificados como: natural, sintético idêntico ao natural, sintético artificial, de reação ou transformação, de fumaça (14).

Não há perigo de toxicidade nos aromatizantes naturais, já nos artificiais, quando aplicados em baixa dose, não há risco. Quando as doses são elevadas, podem provocar ações irritantes e narcóticas, outros podem produzir toxicidade crônica em longo prazo, sempre que sejam empregados em doses superiores às recomendações (20).

 

Conservantes:

Os conservantes mais utilizados são: dióxido de enxofre, ácido benzóico, ácido sórbico, ácido propiônico na forma livre, ou de sais de sódio ou potássio e nitritos e nitratos de sódio e potássio (1).

Apesar de imprescindíveis como método adicional à conservação de alimentos no panorama atual, a limitação e política decrescente do uso de conservantes químicos em alimentos estão relacionadas ao risco toxicológico que estes compostos representam à saúde do consumidor (7). Uma dieta rica em nitrato e nitrito, compostos amplamente encontrados na composição de produtos cárneos, pode estar associada com o câncer de estômago (5).

Antioxidantes:

Dos antioxidantes sintéticos os mais utilizados pela indústria brasileira são: butil hidroxianisol (BHA), butil hidroxitolueno (BHT), galato de propila (PG) e terc-butil hidroquinona (TBHQ) (23). Entre os antioxidantes naturais mais utilizados podem ser citados tocoferóis, ácidos fenólicos e extratos de plantas como alecrim e sálvia.

O uso de antioxidantes sintéticos tem diminuído devido a suspeita de atividade como promotores de carcinogênese (13).

Edulcorantes:

Dentre os edulcorantes naturais, pode-se destacar o esteviosídeo, um glicídio diterpênico extraído das folhas de Stevia rebaudiana Bertoni (8). Dentre os edulcorantes artificiais mais empregados pela indústria alimentícia estão acesulfame-K, aspartame, ciclamato de sódio e sacarina(2).

O aspartame é atualmente alvo de várias críticas, devido ao seu suposto efeito neurológico (21).

Acidulantes:

Dos acidulantes os ácidos cítrico, fosfórico e láctico são os mais utilizados em alimentos (24). O ácido tartárico (INS 334) é usado nos refrigerantes de sabor uva (12). O ácido fumárico é utilizado na indústria alimentícia como acidulante em refrescos e refrigerantes e estabilizante de diferentes produtos alimentícios (19).

O acido fosfórico pode afetar negativamente a saúde óssea, por meio da geração de carga ácida, no organismo, pois é o que apresenta maior acidez dentre os utilizados em bebidas (16).

Espessantes:

Os polissacarídeos usados no preparo e processamentos de alimentos têm sido obtidos a partir de plantas terrestres e aquáticas como carragena, goma guar e carboximetilcelulose. Outra fonte possível de polissacarídeos para uso em alimentos é dada pela capacidade biossintética de alguns microrganismos não patogênicos com os quais se obtêm os biopolímeros bacterianos xantana, gelana e dextrana. Geralmente, sua ingestão não possui efeitos adversos (6).

Estabilizantes:

Podem ser obtidos a partir de extratos de algas marinhas (alginatos, ágar, carragenas), extratos de sementes (locusta, guar), exsudatos vegetais (arábica), microrganismos (xantana, gelana) e a partir de celulose e pectina (10). Ou seja, aditivos da classe dos espessantes também apresentam propriedades estabilizantes.

Umectantes:

Lactato de sódio, cloreto de sódio (9), glicerol (11) e sorbitol. Este último, se em excesso, apresenta efeito laxativo (18).

Pode-se concluir então a importância de ler o rótulo dos alimentos na hora da compra, para que se possa fazer a escolha mais adequada diante dos ingredientes apresentados. Além disso, sempre que possível optar por alimentos in natura ou minimamente processados.

Referências:

  1. ARAÚJO, D. B.; BARRAL, T.; ARAÚJO, R. P. C. análise das características de produtos contendo aspartame comercializados em Salvador, Bahia, Brasil. Pesquisa Brasileira Odontologia, v.8, n.2, p. 223-228, maio/ago. 2008.
  2. ASSUMPÇÃO, M.H.M.T, et al. Desenvolvimento de um procedimento biamperométrico para determinação de sacarina em produtos dietéticos. Revista Química Nova, v.31, n.7, p.1743-1746, 2008.
  3. BALBANI, A. P. S.; STELZER, L. B.; MONTOVANI, J. C. Excipientes de medicamentos e as informações da bula. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, Botucatu, v.3, n.72, p. 400 – 4006, mai./jun. 2006.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde (Brasil). Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Legislação. Portaria nº 540, de 27 de outubro de 1997. Aprova o Regulamento Técnico: Aditivos Alimentares – definições, classificações e emprego. [acesso em 2010 Jun 20]; [aproximadamente 1 tela]. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/
  5. CÂMARA, S. A. V. Fatores de risco para câncer de estômago: Avaliação dos teores de nitrato e nitrito em linguiças. 2006. 106f. Dissertação (mestrado) — Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Centro de Ciências Biológicas e da Saúde. 2006.
  6. DIAZ, O.S.; VENDRUSCOLO, C.T.; VENDRUSCOLO, J.L.S. Reologia de xantana: uma Revisão sobre a Influência de Eletrólitos na Viscosidade de Soluções Aquosas de Gomas Xantana. Seminário: Ciências Exatas e Tecnológicas, 2004; v.25, p.15-28.
  7. FAI, A.E.C.; STAMFORD, T.CM.; STAMFORD, T.L.M. Potencial Biotecnológico de quitosana em sistemas de conservação de alimentos. Revista Ibero Polímeros. v.9, n.5, p. 10-15, abr, 2008.
  8. FERNANDES, A.G.; et al. Avaliação sensorial de bebidas de goiaba adoçadas com diferentes agentes adoçantes. Ciência e Tecnologia de Alimentos. v.29, n.2, p.358-364, 2009.
  9. FRANCESCHINI, R.; et al. caracterização sensorial de salsicha ovina. Revista de Nutrição. v.17, n.2, p.127-135, 2006.
  10.  GRANADA, G. G.; ZAMBIASI, R. C.; MENDONÇA, C. R. B.; SILVA, E. Caracterização física, química, microbiológica e sensorial de geléias light de abacaxi. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v.25, n.4, p.629-635, dez. 2005.
  11.  GUIMARÃES, J. L.; SATYANARAYANA, K. G.; WYPYCH, F.; RAMOS, L. P. Preparo de Compósitos Biodegradáveis a Partir de Fibras de Bananeira Plastificadas com Amido e Glicerina Bruta Derivada da Alcoólise de Óleos Vegetais. Congresso de Biodiesel, 2006.
  12.  LIMA, A. C. S.; AFONSO, J. C. A química do refrigerante. Química Nova na Escola. v.31, n.3, Nov. 2008.
  13.  LIMA, A.R.; et al. Compostos bioativos do café: atividade antioxidante in vitro do café verde e torrado antes e após a descafeinação. Revista Quím Nova, v.33, n.1, p.20-24, 2010.
  14.  MAGALI, R. F. A leitura de rótulo de produto alimentício na escola. 2006. 101f. Dissertação (Mestrado em linguística aplicada). Universidade de Taubaté. Taubaté. 2006.
  15.  MARMITT, S.; PIROTTA, L.V.; STÜLP, S. Aplicação de fotólise direta e UV/H2O2 a efluente sintético contendo diferentes corantes alimentícios. Revista Química, v.33, n.2, p.384-8, 2010.
  16.  MORAIS, GLAUCIA QUEIROZ; BURGOS, M. G. P. A. Impacto dos nutrientes na saúde óssea: novas tendências. Rev bras ortop, v. 42, n. 7, p. 189-94, 2007.
  17.  REZENDE, S.; NASCIMENTO, D.; PIOCHON, E. Educação alimentar: aditivos alimentares encontrados nos sucos consumidos pelos acadêmicos do curso de ciências biológicas de Jataí – GO. In: Anais dos Congressos de Pedagogia. Jataí; 2008.
  18.  RICHTER, M., LANNES, S. C. S. Ingredientes usados na indústria de chocolates. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, v.27, n.1, p.193-200, mar. 2007.
  19.  ROMITI, R. Outras Modalidades Terapêuticas na Psoríase. Sociedade Brasileira de Dermatologia. v.12, p.5-8, 2009.
  20.  SALINAS, R.D. Alimentos e Nutrição: Introdução à Bromatologia. 3ªEd. Porto Alegre: Artmed, 2002.
  21.  SAUNDERS, C. et al. Revisão da literatura sobre recomendações de utilização de edulcorantes em gestantes portadoras de diabetes mellitus. FEMINA. v.38, n.4,p.179-184, 2010.
  22.  TABAR, A.I.; et al. Asma y alergia por el colorante carmín. Anales del Sistema Sanitario de Navarra. 2003; 26 supl:2.
  23.  TAKEMOTO, E.; FILHO, J.T.; GODOY, H.T. Validação de metodologia para a determinação simultânea dos antioxidantes sintéticos em óleos vegetais, margarinas e gorduras hidrogenadas por clae/uv. Revista Química Nova, v.32, n., p.1189-1194, 2009.
  24.  TORREZAN, R.; JARDINE, J. G.; VITALI, A. A. Efeito da adição de solutos e ácidos em poupa de goiaba. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v.19, n.1, p. 43-45, jan./abr. 2001.
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